Quando falo em testosterona no consultório com pacientes mulheres, a reação costuma ser surpresa. "Mas isso não é hormônio masculino?" É masculino e feminino — e sua queda em mulheres tem consequências clínicas reais que ficam sem diagnóstico por muito tempo.
O papel da testosterona na mulher
Os ovários produzem testosterona ao longo de toda a vida reprodutiva da mulher — em quantidades menores do que nos homens, mas com funções igualmente importantes: desejo sexual, disposição, força muscular, cognição, bem-estar geral.
A produção de testosterona começa a cair a partir dos 30 anos e acelera com a menopausa. Mulheres que fazem ooforectomia (retirada dos ovários) têm queda abrupta e imediata.
Sintomas de deficiência de testosterona em mulheres
Queda de libido persistente, fadiga que não melhora com o descanso, redução de força muscular, dificuldade de concentração, diminuição do bem-estar geral e sensação de que algo mudou — mas os exames "dão normal."
Esses sintomas raramente são investigados com dosagem de testosterona em mulheres. A maioria das avaliações ginecológicas e de rotina não inclui esse exame.
Quando a reposição é indicada
Quando há sintomas compatíveis com deficiência androgênica e a dosagem laboratorial confirma níveis baixos, a reposição de testosterona pode ser indicada — associada ou não à reposição estrogênica, dependendo do caso.
No Brasil, não há formulação de testosterona aprovada especificamente para mulheres. O uso é feito com formulações manipuladas em doses baixas, adequadas ao perfil feminino, com prescrição e monitoramento médico.
O que esperar do tratamento
Melhora do desejo sexual costuma ser o efeito mais percebido. Melhora de energia, disposição e composição corporal (favorecendo massa muscular) também são relatadas. Os resultados aparecem de forma gradual — geralmente em seis a doze semanas.
Cuidados e monitoramento
A dose precisa ser adequada. Testosterona em excesso em mulheres causa acne, oleosidade da pele, queda de cabelo com padrão androgênico e, em casos extremos, engrossamento da voz. Com dose correta e monitoramento regular, esses efeitos são evitáveis.
Exames periódicos para acompanhar níveis séricos são parte do protocolo.
Perguntas frequentes
Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. Antes de usar medicamentos ou suplementos, busque um profissional de saúde. Dra. Milena Jácome — CRM-PB 10744.
