Chega quase toda semana alguém no consultório com um frasco na bolsa comprado na fronteira ou por um vendedor de rede social. "Doutora, é tirzepatida, custou um terço do preço. Posso usar?" A resposta curta é não. E eu explico por quê, sem meia palavra.
O que são esses frascos
T.G., LIPOLESS e TIRZAPEP são produtos trazidos do Paraguai e vendidos como tirzepatida injetável em frasco. No Brasil, a única tirzepatida registrada na ANVISA é o Mounjaro — em caneta, nas doses de 2,5 a 15mg. Frasco avulso, ampola, "tirzepatida 60mg": nada disso faz parte do produto oficial. O problema já começa no formato, que não existe legalmente por aqui.
Por que é perigoso
Sem registro na ANVISA, não há garantia de dose, de pureza, de esterilidade nem de procedência. A própria autoridade sanitária do Paraguai já alertou sobre versões falsificadas em circulação. Um injetável de origem desconhecida é risco de dose errada, de contaminação e de infecção — direto na corrente sanguínea.
E tem o caso que assustou o país: foram encontradas canetas de insulina com rótulo de medicamento de emagrecimento sobreposto. Quem aplicasse teria hipoglicemia grave achando que estava tomando tirzepatida. Não é hipótese de bula — aconteceu.
A ANVISA proibiu
A Resolução RE nº 4641/2025 proíbe expressamente a entrada no Brasil de LIPOLESS, T.G. e TIRZAPEP. Há aviso na própria fronteira. E as apreensões explodiram: passaram de cerca de 7,5 mil unidades no fim de 2025 para mais de 70 mil em 2026 — alta de mais de 860%.
Se você já comprou
Não use. Traga o produto e o seu histórico para uma avaliação. Existe caminho seguro e legal com o mesmo princípio ativo — e vale muito mais do que a economia da fronteira.
Emagrecer com tirzepatida é possível e seguro: com o produto registrado, receita e acompanhamento. O barato do Paraguai sai caro no corpo.
Perguntas frequentes
Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. Antes de usar medicamentos ou suplementos, busque um profissional de saúde. Dra. Milena Jácome — CRM-PB 10744.
